Capítulo Único
- Me larga, eu não preciso de ajuda! - balancei o braço, tentando me livrar das mãos que tentavam me carregar.
- larga de ser grossa, deixa as pessoas te ajudarem! - ouvi alguém dizer.
- Se a culpa não fosse da empresa de eu ter quebrado a perna, vocês estariam me tratando como lixo, como sempre fazem! - falei irritada. - Até ontem ninguém aqui sabia o meu nome, mas assim que meus pais falaram de processo, vocês trataram de aprende-lo né? - empurrei a mulher que tentava segurar meu braço. - Falsidade pra cima de mim não! Com licença. - sai batendo as muletas sem paciência.
- E a nossa grosseria em pessoa ataca de novo. - Jeno, o menino que estuda na mesma escola que eu, falou irônico.
- Grossa? E eu tô mentindo? Ontem eles me olhavam torto e nem falavam comigo, hoje estão querendo me carregar até nas costas.
- Grossa sim, aceita a ajuda deles.
- Não! - falei firme.
- Então aceite a minha ajuda. - ele sorriu, e naquele sorriso tinha alguma mensagem subliminar.
- O que é isso? Tá doido? - tentei rir. - E por que está falando comigo? Você nunca fala comigo na empresa.
- Tá bom, não quer que eu fale com você? Beleza. - ele me deu as costas e saiu pelo corredor.
Idiota. Como as meninas são tão apaixonadas por essa carinha bonita? Ele é tão... Tão... Aish!
(...)
- O que é isso? - peguei uma caixinha que estava depositada sobre a mesa de som. - “Para a nossa grosseria em pessoa, espero que goste e use!”. - li o bilhete em voz alta. - Que diabos...? - abri a caixinha e ali tinha um lindo colar prata com detalhes pequenos em . - Como ele sabia da minha cor favorita? Aish Jeno-ah!
Dentro da caixinha tinha um bilhete amassado, talvez por que fora dobrado várias vezes.
“Pensei várias e várias vezes se deve fazer isso anonimamente, ou se devia colocar o meu nome. Pensei até em entregar pessoalmente, ou talvez devesse simplesmente colocar na sua mochila, sem falar nada. Mas finalmente decidi que deveria me abrir e lhe falar sobre meus sentimentos. Você tem todo o direito de negar e me rejeitar. Assim como pode pensar e considerar a ideia.
Eu não sei ao certo quando ou por que. Só sei que quando te vi com essa perna quebrada, senti que devia te carregar para todos os lados.
Mas eu percebi a algum tempo. Tentei me aproximar, ser seu amigo, mas você é tão fechada que apenas me fez sentir que eu não tinha chance alguma.
Todos me perguntavam como a minha vida ia, como estava na empresa, como era estar debutado e porque eu faltava tanto. Mas a única pessoa que eu realmente queria que me perguntasse isso, estava pouco se importando. Estava sentada num canto lendo um livro, ou apenas escutando uma música alta nos fones. E quando não estava na rodinha de amigas e aí eu realmente me sentia acanhado de falar contigo.
Por que garotas andam em bando? Vocês não se desgrudam um segundo!
E foi aí que eu descobri que éramos da mesma empresa. A minha vontade de vir treinar até renasceu, eu vinha todo dia bem cedo para te ver chegar, via você totalmente suada e respirando com dificuldade. Mas isso só te deixa mais bonita.
Eu já não sei mais o que falar , sinto que não importa o que eu fale e te elogie, você tem um coração de pedra e é a nossa grosseria em pessoa né?
Mas não custa tentar. Espero que me entenda.
Use esse colar se você aceitar e retribuir meus sentimentos.”
Senhor o que era aquilo? Tirei o colar da caixinha e era lindo, delicado e leve.

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