- Senhor cadê esse menino? - olhei no celular mais uma vez, ele já estava atrasado e consequentemente, estaríamos os dois atrasados para o sinal da escola.
“Jaemin-ah! Cadê você?”
“Jaemin? Você está chegando?”
“Estou desesperada! Cadê você?”
“Seu trem atrasou? Você acordou atrasado? Você vem pra escola hoje? ME RESPONDE”
Nossa conversa continuava unilateral. Ele simplesmente não me respondia mais. Apertei a alça da minha mochila, tentando decidir se devia ir para a escola sem ele.
- Olha se não é a menina mais desesperada do planeta. - alguém tampou a minha visão.
- Jaemin? - tirei suas mãos. - Você quer me matar do coração? Eu estava preocupada.
- Estou aqui.
- E estamos atrasados. Eles nunca vão nos deixar entrar.
- Quem disse que vamos pra escola? - ele sorriu sapeca. - Me segue.
- Você tá louco? Minha mãe vai me bater.
- Vem logo. - ele segurou meu pulso e saiu me puxando pelo caminho que ele queria.
Saímos da estação e seguimos o mesmo caminho para a escola, mas viramos a esquina antes da entrada. Paramos em um parque de criança, onde as professoras costumavam nos trazer durante o dia das crianças.
- O que vamos fazer aqui? Devíamos ir pra escola. - falei parando de correr.
- ! Para de reclamar por um segundo. - ele me olhou com aquele sorriso de derreter qualquer coração.
- Tá bom. Desculpa. - ele se sentou em um dos bancos e colocou a mochila no chão, fiz o mesmo e ele passou o braço pelo meu ombro.
- Lembra quando você ficava escondida de baixo daquele escorregador?
- Culpa sua! Você ficava enchendo o meu saco por que eu não era coreana.
- Não era só eu não! O Taehyung também fazia isso.
- Dois pestes. - ri. - Graças a Deus isso passou.
- E hoje somos amigos. - assenti. - Você lembra o que fizemos naquela casinha?
- Uma promessa. - mexi na minha pulseira que simbolizava aquela promessa. - Sermos amigos para sempre, não importa o que acontecesse.
- E foi ali que você me deu um beijo na bochecha.
- Meu Deus! Nem me lembre disso! - dei risada. - Mas por que estamos aqui? E pra que lembrarmos disso?
- Por que eu quero fazer a nossa última memória aqui. - ele se virou pra mim e manteve aquele sorriso.
- Diga.
- Eu quero... - ele suspirou. - Eu tenho uma pergunta a te fazer.
Ele estava nervoso, tirou sua mão do meu ombro e segurou as minhas. Ele estava tremendo e suando.
- Jaemin... O que você tá fazendo? - questionei nervosa, na minha cabeça, se passava todas as possibilidades do que podia acontecer.
- , eu... Eu queria saber se algum dia você... Você pensou, você sei lá... Que podíamos ficar juntos?
- Juntos tipo... Namorando?
- É. Eu e você. Juntos.
- Jaemin eu não acho que isso vá funcionar...
- Por que? - seus olhos eram pidões e não havia mais o sorriso sapeca em seu rosto. - Nos somos amigos a anos! Seria basicamente a mesma coisa.
Suspirei e olhei para nossas mãos juntas, ponderando sobre os membros sentimentos pelo moreno a minha frente. Eu nunca tinha considerado criar sentimentos maiores que amizade por ele. Eu me via namorando qualquer menino da escola, menos Jaemin.
Éramos unha e carne. Melhores amigos. Conhecíamos nossas piores manias, tínhamos uma intimidade incrível. Nosso relacionamento não seria desgastante por não termos quase nada a conhecermos?
- Se você não quiser eu entendo ... - ele sorriu de lado.
- Cala a boca um segundo Jaemin. - solto nossas mãos e me levanto. - Eu estou confusa... Quer dizer... Eu te amo, mas não sei se é na mesma intensidade que você.
- Por isso eu estou pedindo uma chance ! Vamos ver como isso funciona.
- Eu não quero perder a sua amizade. - falei chateada.
- E não vai! Lembra...? - ele apontou para a casinha da promessa, a olhei e suspirei. - Você precisa de um tempo...?
- Não! - respirei fundo e o olhei determinada. Me sentei ao seu lado e continuei encarando aqueles olhos escuros os quais eu sempre amei olhar, eram como o paraíso para mim.
Ele sorriu e levou sua mão até o meu rosto. Eu sabia o que significava, só não sabia o porque do meu coração estar batendo tão rápido, como se eu estivesse correndo. Ele começou a se aproximar lentamente e eu tentava me acalmar. Era o meu primeiro beijo e com o meu melhor amigo.
Seus lábios tocaram os meus gentilmente, num leve selinho. Eu não conseguia fechar os olhos, diferente do garoto que os manteve fechados. Ele percebeu que eu não não o correspondi e nos separou.
- ?
- Desculpa... - corei. - Foi o meu primeiro beijo. - falei baixinho.
- Sério? - ele parecia surpreso e contente.
- Podemos tentar de novo? - pergunto acanhada e ele apenas sorri e volta para a posição anterior, mas dessa vez eu o correspondo.
Seus lábios tinham um gosto doce e eram macios, minha mão me sustentavam no banco e a outra estava emaranhada nos cabelos dele e ele não estava diferente. Apenas aquele toque me fez ficar com borboletas no estômago.
- Eu não acredito que esse parque se tornou o lugar das nossas maiores lembranças. - falei depois de nos separarmos.
- O escorregador, a casinha e o banco. - ele falou apontando para cada coisa. - A primeira vez que eu te vi, quando nos tornamos melhores amigos e quando nos tornarmos um casal oficial.
Sorri com a palavra “casal”. Era uma sensação estranha, mas eu estava adorando estar abraçada com o meu, até então, amigo, mas de uma forma totalmente diferente. Ele estava tentando agir como meu “oppa”, apesar de não termos grande diferença de idade.
- Acho que foi bom não termos ido pra escola. - ri olhando para nossas mochilas jogadas no chão.
- Eu falei. - ele sorriu e entrelaçou nossas mãos.
- Não vamos ficar estranhos né? - perguntei deitando minha cabeça em seu ombro. - Seremos um casal amigos.
- Nós duraremos pra sempre. - ele deitou a cabeça na minha.
- Promete? - estiquei meu dedinho, pedindo que ele selasse a promessa e ele o fez.
- Eu te amo e sempre amarei.
- Do escorregador ao banco. - sorri. - Seremos assim para sempre? Do escorregador ao banco.
- Do escorregador ao banco minha princesa.
Ele me deu um beijo na cabeça e entrelaçou nossas mãos.
- Vocês dois? Não deveriam estar na escola? - ouvimos a voz do inspetor.
- Corre? - ele pegou as duas mochilas.
- Corre! - saímos correndo igual a dois desvairados pela rua, o coitado do ahjussi não conseguiu nos acompanhar.
Paramos algumas quadras depois rindo. Eu estava feliz. Nós estávamos felizes.
Do escorregador ao banco. Seríamos assim para todo o sempre.

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