My idiot japanese - Nakamoto Yuta



Capítulo Único

E mais uma vez, eu estava parada, de frente para a sua porta, me preparando para bater na madeira e tentar conversar.
Hesito por um segundo, mas as palavras de sua mãe me vem à cabeça e respiro fundo, tomando coragem de incomodá-lo.
- Eu já falei que eu não quero falar com você! - sua voz estava cansada e embargada.
- Yuta! - bati com mais força. - Por favor! Abre a porta!
- Eu não quero ver ninguém pelos próximos vinte anos! - ele jogou alguma coisa contra a porta.
Suspirei e olhei para o chão sem ter ideia do que fazer. Quando ele toma uma decisão, ninguém consegue mudá-la.
- Yuta, eu sei que dói. Eu sei que foi uma humilhação e logo depois uma perda... - tentei falar mais baixo. - Por favor, me deixa entrar. - meus olhos estavam marejados, eu não queria deixá-lo sozinho.
- Vai embora! Não preciso de ninguém.
- Ok Yuta... - funguei e dei as costas. - Quando precisar de alguém... Sabe a onde me encontrar. - tentei sorrir, mesmo que ele não me visse e sai com o coração na mão.
Ele era o meu melhor amigo, que precisava do meu ombro pra chorar, mas ele simplesmente não quer.
Olhei uma última vez para a porta de madeira e suspirei, eu teria que esperar por ele.
(...)
Seis meses se passaram. Quase nenhuma melhora no humor do japonês. Ele mal saia do quarto, não queria falar com ninguém, fica no vídeo game o dia todo e durante a noite é quando ele acorda aos prantos por que sonhou com ela de novo.
As pessoas da escola já haviam esquecido do incidente, ninguém nem perguntava mais por ele, nem os professores.
Olhei o seu rosto sereno enquanto dormia, seus lábios estavam relaxados, talvez ele não estivesse sonhando com ela.
Levantei a minha mão, ameaçando passar em seus cabelos, mas ele começou a se debater e gritar até acordar.
- Shhh! - puxei sua cabeça para o meu colo. - Fica calmo foi só um sonho.
- Eu não aguento mais! - ele disse entre soluços. - Eu quero esquecer de tudo! Eu quero morrer Sofie.
- Yuta! - bati em seu braço. - Nunca mais fale uma coisa dessas! - segurei seu rosto entre minhas mãos. - Você me ouviu? Nem pense em se matar.
Ele tentou sorrir, e eu também. Agora eu entendia o porque de sua mãe não querer deixá-lo sozinho por muito tempo.
- Eu vou pegar o seu jantar ok? - levantei da cama.
- Não estou com fome. - ele falou e ligou o vídeo game.
- Yuta... Você precisa comer. - falei preocupada.
- Não quero Sofie... Pode ir pra casa. - suspirei e fiquei o olhando concentrado na tela.
- Ok... Qualquer coisa me liga... Sua mãe deve estar chegando.
(...)
Yuta
Abri o envelope que estava jogado em cima da minha mesa, eu conhecia aquela caligrafia e isso fez meu coração se apertar.
Já faz mais de oito anos desde a última vez que nos vimos... E eu sinto tanta saudade de você. Ainda me recordo do seu sorriso, dos seus olhos, dos seus fios de cabelo que cobriam sua testa... Ah! E o seu queixo... Me lembro de te assistir dormir por horas, com medo de que você acordasse aborrecido e precisasse da minha ajuda.
Eu me lembro de cada detalhe seu. Da sua risada escandalosa, das suas mãos quentes quando você me abraçava... Me lembro quando você me deixou de lado por ela, pois ela era o amor da sua vida. E mesmo assim eu lutei para ficar no meio de vocês e manter meu posto.
Ainda me lembro da nossa promessa no parque em frente à sua casa. Você se lembra?
Fechei os olhos voltando aquele dia. Estávamos os dois sentados embaixo de um escorregador, porque estava chovendo. estava com um sorrisão, ela amava a chuva e a maneira que a deixava encharcada. Suas mãos estavam molhadas, assim como os tênis.
Ela se virou para mim e deitou a cabeça como um cachorrinho, esticou o braço direito com o dedinho levantado. “Me promete que nunca vai me abandonar?” Nós selamos a promessa e seu sorriso aumentou, fazendo seus olhos quase sumirem.
- Eu te amo Yuta. - me virei e a vi trajando um vestido rosa rodado.
- Eu também te amo ... - estiquei os braços, tentando toca-la, mas ela sumiu. - Eu te amo Sofie... - eu não sabia que sentia tanta saudade dela.
Pois é... Nos tentamos manter a promessa, mas infelizmente, a vida nos separou... Cada um traçou o seu caminho, nos separamos e perdemos o contato.
Você é e sempre foi um grande idiota Yuta Nakamoto. Mas um idiota que eu sempre amarei.
Você está guardado no meu coração, junto com as nossas lembranças, boas e ruins.
Me desculpe por não ter entrado em contato antes... Ou ter te contado como a minha vida anda e o que aconteceu depois da escola...
Eu espero que você tenha melhorado e esteja bem, trabalhando com o que gosta e que tenha encontrado alguém que te faça feliz...
E se não encontrou, espero que encontre e siga em frente.
Eu te amo meu japonês.


Meus olhos estavam completamente encharcados, ela acabara de abrir mão de mim. Ela me mandou seguir em frente. Ela finalmente me jogou fora. Alcancei uma foto nossa que repousava em cima da mesinha de centro, seu sorriso estava enorme e seus pequenos braços passavam pelo meu pescoço.
Aquela foto havia sido tirada por sua mãe, na noite do baile de inverno, dez meses depois da morte da minha ex-namorada.
Eu ainda me lembrava de como Sofie insistiu para que eu fosse na tal festa, ela ficou semanas enchendo o meu saco e tentando me convencer, até que conseguiu quando eu não aguentava mais ouvir suas frases irritantes.
Sorri com as lembranças de sua voz e seus sorrisos, mas meu coração estava apertado de saudades. Eu precisava vê-la, precisava falar pra ela os meus sentimentos.
Outra carta estava jogada em cima da mesa, mas essa era mais bonita e parecia mais um convite.
A abri e um papel creme caiu, não acreditei quando vi o conteúdo da carta. Minhas pernas fraquejaram e eu cai no chão, junto às minhas lágrimas de desespero e tristeza.
& Jisoo lhe convidam para a cerimônia de matrimônio dia 28 de Novembro
Então foi por isso que ela me libertou. Ela vai casar. Ela encontrou outra pessoa. Eu a deixei ir.
Minha cabeça pendeu para trás. Eu queria gritar, deixar o mundo saber o tamanho da minha saudade daquela menina e o quanto eu a amava.
Continuei encarando o papel que caira no chão. Eu tinha que achá-la, precisava receber seu definitivo não.
Me recolhi e levantei, eu não fazia ideia de onde iria encontrá-la, então preferi tentar a casa onde ela residia com seus pais.
Sua mãe me atendeu cordialmente, por quase duas horas ela me contou tudo o que aconteceu com sua filha, como ela terminou sua faculdade de Pedagogia, como ela conheceu o noivo e como doeu ao vê-la se mudar com o mesmo, e isso doeu de ouvir. Sua mãe parecia extremamente feliz e orgulhosa, mas seu pai torcia o nariz toda vez que o outro era mencionado.
- Ainda gostaria que ela morasse conosco, ela mal liga para nós. - ele suspirou e olhou para a tela do celular, que mantinha uma foto da família.
- Querido, é normal, agora ela tem a vida dela, ela está tão enrolada com a nova escola e com os preparativos do casamento e da lua-de-mel.
- Ela me convidou para o casamento... Mas eu queria falar com ela antes.
- Ah claro! - a mulher se levantou e foi atrás de uma folha de papel, onde ela escreveu o endereço e o telefone da menina.
- Obrigado! - sorri ao ver as letras. - Eu preciso ir... Adorei reve-los. - me levantei do sofá.
- Que isso Yuta querido, volte sempre que quiser, você sempre será bem vindo a nossa casa.
Sorri e sai praticamente correndo para o carro, joguei o endereço no GPS e sai quase rasgando.
A casa parecia totalmente nova, não era muito grande, mas para apenas um casal, estava ótimo.
Apenas a luz da cozinha estava acessa, engoli seco sem saber o que eu faria se o noivo estivesse em casa também. Fiquei uns cinco minutos olhando para a rua e tentando acalmar meus batimentos.
- Você consegue Yuta! - falei sozinho. - Ela sempre foi sua amiga! Se ele estiver aí só deseje felicidades e vá embora. - respirei fundo e sai do carro, toquei a campainha e demorou uns dois minutos até alguém atender.
Era ela. estava na minha frente, trajando roupas simples e curtas, os cabelos bagunçados e presos em um coque e seu rosto não portava nenhum tipo de maquiagem.
Seus lábios se entreabriram e ela arregalou os olhos.
- Yuta? Eu não acredito! É você mesmo? - ela esticou o braço e encostou no meu rosto. - Como descobriu onde eu moro?
- Sua mãe. - pousei minha mão em cima da sua. - Posso entrar?
Ela assentiu e me deu espaço, a casa estava incrivelmente arrumada e cheia de fotos do casal. Eles pareciam felizes juntos.
- O que te trouxe aqui? - ela perguntou se sentando no sofá.
- Saudades... Quando eu li aquela carta que você mandou... Eu quis te ver de novo.
- Ah... - ela mexeu na aliança. - Eu estava provando bolos para a festa do meu casamento... Quer me ajudar? - ela andou em direção a cozinha e eu apenas a segui.
Ali sim parecia ser um lugar que pertencia à , estava uma zona.
- Tem de chocolate, morango com chocolate, uva, frutas vermelhas... - ela apontava animada para os pedaços. - Tenho certeza que você vai gostar desse! - ela pegou um garfo e enfiou o bolo na minha boca, seus olhos estavam esperançosos me olhando e sorrindo.
- Hm... - tinha gosto de chocolate e mais alguma coisa. - É bom.
- Ha! Eu sabia, vai ser esse mesmo. - ela levantou uma plaquinha e colocou em cima do bolo. - Enfim... - ela começou a recolher a louça de cima da mesa. - Como vai a sua vida?
- Normal... - dei de ombros e comecei a ajudá-la a recolher os garfos, colheres e pratos. - A sua parece muito mais interessante.
- Que nada. - ela sorriu. - E aí... Encontrou alguém? - ela me deu uma cotovelada brincalhona.
- Ninguém. - suspirei.
- Ninguém te aguentou é isso né? - ela deu risada. - Aí deixa isso pra lá, depois eu arrumo. - ela desligou a torneira. - Vem! Eu quero te mostrar tanta coisa! - ela me puxou pelo braço e saiu correndo. - Senta aí, eu vou pegar umas coisas.
Ela sumiu pelo corredor. Sentei no sofá e fiquei encarando uma foto em cima da mesa de centro. estava abraçada ao noivo e os dois completamente empacotados na neve.
- Voltei! - ela se sentou com vários álbuns de fotos nas mãos. - Eu conheci tantas pessoas! - ela começou a folhear. - Lembra que eu falei que queria ir um dia pra França? - ela me olhou sorridente e mostrou uma sequência de fotos dela na torre Eiffel.
Ela passou horas falando de como o noivo era maravilhoso, ele a levava para todos os lugares, dava de tudo pra ela, e como ela disse “é um verdadeiro príncipe”.
Minha autoestima já estava no chão, eu só tinha vontade de soca-lo cada vez que sorria olhando uma foto.
- ... Eu não vim aqui pra ouvir como o seu noivo é maravilhoso. - ela me olhou um tanto triste.
Me aproximei dela e tirei os álbuns de seu colo, juntando nossos corpos. Sua respiração estava entrecortada e seus lábios abertos, aproveitei sua confusão e a beijei.
De início ela tentou se soltar, mas então parou de relutar e jogou os braços pelo meu pescoço e sorriu.
Corri minhas mãos pelas suas pernas desnudas, apertei sua coxa e ela soltou um suspiro.
Meus atos já não eram mais pensados, eu estava simplesmente seguindo meus instintos e eles me diziam para retribuir Yuta.
Suas mãos corriam livres pelo meu corpo, nós procurávamos diminuir nossas distâncias, se é que ainda era possível.
Nós estávamos colados, nossas intimidades já roçavam e eu sentia uma vontade louca de arrancar toda a roupa daquele ser e passar a noite matando a nossa saudade.
Uma de suas mãos pousou na minha bunda e a outra tentava tirar a minha camiseta, arranhei seu pescoço e sorri o ajudando a tirar minha peça.
Seus lábios desceram pela minha mandíbula até o meu pescoço, onde ele deixou vários beijinhos, provavelmente se lembrando que eu ainda tinha um noivo e ele poderia desconfiar.
Meu celular começou a tocar insistente em algum lugar da casa, mas eu não queria soltar o japonês, porém, minha parte sensata achou melhor ir atender.
- É o meu noivo! - falei olhando desesperada para o Yuta.
- Atende normal, relaxa . - tentei assentir, mas eu tremia de tanto medo.
- Alô?
- Oi meu amor, só liguei para avisar que eu cheguei em Hong Kong.
- Ah que ótimo amor. - respondi com a maior cara de pau. - Eu estava provando os bolos.
- E aí, decidiu?
- Uhum! - mordi o lábio, querendo que aquela conversa acabasse logo.
- Que bom minha flor, eu preciso desligar ok? Não se esqueça que eu te amo viu? Não esquece de trancar a porta à noite tá? Cuidado pequena. - meu coração apertou de uma maneira horrível, o que eu estava fazendo com o Jisoo?
- Ok mor, eu também te amo. Cuidado. - desliguei a chamada e olhei para Yuta, minha respiração estava cortada e meus olhos marejados.
Coloquei o celular em cima da mesa e me aproximei do meu amigo, ele esticou os braços, tentando me puxar para o seu colo.
- Yuta... - me desfiz de suas mãos. - Me perdoa, mas eu não posso. - abaixei a cabeça. - Não posso fazer isso com o Jisoo, ele sempre foi incrível pra mim e eu não posso retribuir dessa maneira. - suspirei pegando minha camiseta do chão. - Me perdoa mesmo, mas eu acho que está na hora de você seguir em frente.
Ele estava boquiaberto, seus olhos marejados e a sua carinha era de um cachorro que perdeu os donos. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, querendo falar alguma coisa, mas não conseguia. Ele apenas se levantou e saiu rasgando.
Cai no sofá desnorteada. Eu não fazia ideia que eu ainda tinha sentimentos pelo meu amigo.

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